Arte e rebeldia?

As aulas de História da Arte na ECOA são dois exercícios simultâneos: repassar informação e a criar... Hoje em Tendências Contemporâneas paramos para refletir sobre o quanto a arte e os artistas nos dias de hoje trabalham com a noção do efêmero. Desde a década de 70, no Brasil, temos assistido a constante reivindicação a cerca das artes enquanto instrumento de conscientização, de construção e apoio as vanguardas de todas as áreas e quase contraditoriamente o pensar a preservação da arte a sua manutenção enquanto mercadoria e a sua adaptação aos novos ideais de produção e a adequação destes ao mercado. Paradoxalmente enquanto se deseja destruir o objeto artístico se está constantemente criando novos meios de o transformar em produto.Aparentemente a lei da mercadoria enquanto meio prevalece também onde imaginamos que ela não deveria estar tão arraigadamente presente.Quanto vale a criatividade, a ideia ou uma nova noção? Como se avalia a ousadia, a determinação, a inventividade?O Graffiti, se fosse transformador , seria ilegal afirma Bansky, infelizmente tendo a concordar. Os anos em que tentamos trabalhar a distinção entre pixar e graffitar parecem ter sido há séculos. Hoje qualquer jovem não se surpreende mais com a diferença mas com a preocupação com a distinção, não falamos mais de territórios... até mesmo se passa a cultuar muralistas-grafiteiros.
Dos atos de rebeldia e ocupação quase anárquica dos espaços os artistas agora submetem-se a terem seus projetos de rebeldia (?) patrocinados, sacramentados e principalmente desviados do seu percurso de rebeldia, conscientização...
Uma das coisas que me chama a atenção é quando: no discurso do artista (protagonista de minha reflexão) encontramos a incoerência de suas ações, a vivência de valores extremos.Não, não estou querendo dizer com isto que o artista deve manter-se na marginalidade nem que o Graffiti, no caso, não é válido; é.
O que desejo chamar a atenção é que estamos muito longe dos princípios norteadores deste tipo de manifestação e que mesmo nos primeiros anos da década de 80 em São Paulo, Alex Vallauri, já apontava o modo de absorção desta forma de invadir as ruas como materialidade POP, produto de venda e consumo da irreverência...
Acredito que devemos pensar fora de esquadro para podermos pensar.
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