Será Escher com seu museu?"Ele concebeu a ideia de um "museu imaginário", que seria a reunião de obras cujas afinidades não procedem da história, mas de uma subjectividade: um museu de subjectividade analógica. Nesse sentido, Malraux ilustra o ponto extremo a que chegou a ideia de arte "para nós": trata-se de uma selecção, intuitiva, de obras que não possuem relações evidentes entre si, que se encontram separadas no tempo e no espaço." (COLI, Jorge, O que é arte, São Paulo, Brasiliense, 1982, pg 65)
A resposta como resultado foi no dia da apresentação dos "museus imaginários" a recolha de objectos que perfaziam as histórias de vida, na realidade uma oportunidade de revelar valores íntimos indissociáveis das suas biografias... a surpresa foi enorme e fiquei no momento sem "chão": como poderia uma ideia já testada antes desse "tão errada"?
O "Museu Imaginário" para mim é uma colecção de referências que estão relacionadas a própria história, não necessariamente a minha estória. O exercício proposto aos alunos foi também realizado e apresentado por mim; propus então, a retomada do exercício como parte do encerramento da Disciplina de Estudos de Arte em Ciências Sociais. Como uma releitura por assim dizer, encorpoerei alguns elementos da vivência de meus alunos, a introdução de algumas referências a minha história de vida... foi nesse contexto que encontrei esta fotografia de Escher e comecei a reflectir sobre essa forma de exposição e reunião de objectos e fotos.
Na infância e adolescência no Canada é comum se fazer um "scrap book" que não é se não a reunião de recortes, lembranças, anotações etc. que veio a resultar nessa forma da cultura industrial e de massa: "Scrapbooking" que pouco mais é do que um modo impessoal/industrial/subjectivo de mostrar ou apresentar um momento da história de vida de alguém gerando mais um produto de consumo. (A referência é objectivamente a uma moda de mandar confecçionar álbuns com a introdução de toda a sorte de objectos e autocolantes próprios para esse fim, algo que não é artesanato mas não deixa de o ser, que tem de manualidades mas é em fim um "ready made"- já pronto a consumir.) Ver essa foto me fez recordar uma fotografia pessoal de um quadro de cortiça que tenha em meu escritório, ali tinha fotografias de família, cartões postais, esboços de pinturas, citações ... um pouco como o scrap book que fiz e perdi na mudança entre Canada e Brasil.
O "Museu Imaginário" aprendi, pode tomar diversas formas segundo as concepções e referências de cada um, é certo que o "museu" é a reunião de relíquias ou referências a elas, por museu estamos sempre denotando passado ou raridade mas em nossa imaginação uma coisa permanece semelhante: a sacralização. Isolamos, descontextualizamos, reificamos em um mesmo gesto de classificação objectos e memórias mas não transformamos em arte ou passamos a fruir se não as nossas lembranças como retalhos de uma obra que se vai construindo aos poucos.
Creio que a subjetividade diante do museu imaginário proporcionou a uma pessoa com nenhum ou pouco conhecimento sobre arte, uma angústia sobre o que colocaria em um museu meu.??????? interrogações... dúvidas...
ResponderExcluirIsso era tudo que tinha,mas derepente um luz, a minha história pode também fazer um museu, dai a ideia de momentos e como a biografia do Eu pode fazer parte de algo mágico para o Eu. Assim com uma obra de arte é mágica para aquele que a ver e a percebe.